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Metais em Emissões de Chaminé: Amostragem pelo Método 29

Fundições, siderurgia e tratamento térmico de resíduos podem ter exigência de metais na chaminé. Veja como funciona a amostragem pelo Método 29 da USEPA e como se preparar.

06/11/2026
7 min de leitura
Rafael Salles, Coordenador Financeiro Técnico (CREA-MG 1420567110)
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Entre os ensaios exigidos em chaminés industriais, a determinação de metais é uma das que mais pedem atenção ao detalhe. Os metais podem sair da chaminé presos a partículas ou, em alguns casos, na forma gasosa. Estão presentes em concentrações baixas, mas relevantes, e podem ser contaminados com facilidade durante a coleta. Por isso, a amostragem segue métodos específicos, e um dos mais usados como referência é o Método 29 da USEPA, que consta entre as metodologias aplicadas pela GeoAvaliar em fontes estacionárias.

Este texto explica quando a medição de metais costuma ser exigida, como o método funciona em linhas gerais, quais cuidados fazem diferença e o que a empresa precisa preparar para a campanha.

Por que medir metais em emissões

Metais como chumbo, cádmio, mercúrio, arsênio e cromo, entre outros, recebem atenção especial por seus efeitos sobre a saúde e o ambiente e pela tendência de alguns deles de se acumular. Quando emitidos pela chaminé, podem se depositar no solo, na água e na vegetação do entorno.

Para o empreendimento, a medição de metais serve para:

  • verificar o atendimento aos limites de emissão definidos na licença e na regulamentação aplicável;
  • avaliar a eficiência de filtros e outros sistemas de controle;
  • conhecer o perfil de emissão para estudos de impacto e de dispersão;
  • demonstrar controle em processos que usam resíduos ou sucatas como insumo.

Setores em que a exigência é comum

A necessidade de medir metais depende do processo e das matérias-primas. De forma geral, a exigência aparece com mais frequência em:

  • fundições e metalurgia, que trabalham com metais em alta temperatura;
  • siderurgia, em etapas como aciaria e sinterização;
  • tratamento térmico de resíduos, tema da Resolução CONAMA nº 316/2002;
  • coprocessamento, quando resíduos são usados como combustível ou matéria-prima em fornos;
  • outros processos que usam insumos com metais, conforme avaliação do órgão.

A lista de metais a determinar é definida na licença. Ela pode incluir alguns poucos elementos ou um conjunto amplo, dependendo do processo.

Como funciona o Método 29

Coleta isocinética

A amostragem é feita em condição isocinética, ou seja, a velocidade de sucção na boquilha acompanha a velocidade dos gases na chaminé em cada ponto da seção. Isso é necessário para que as partículas sejam coletadas na mesma proporção em que estão no fluxo de gás.

Fase particulada

O gás passa primeiro por um filtro, onde ficam retidas as partículas e os metais associados a elas. A sonda e as partes do trem anteriores ao filtro também são lavadas na recuperação, porque parte do material fica depositada nas paredes.

Fase gasosa

Depois do filtro, o gás passa por uma sequência de frascos borbulhadores com soluções absorventes. Essas soluções retêm metais que atravessaram o filtro na forma gasosa. O mercúrio é o exemplo mais conhecido, e o método prevê soluções específicas para capturá-lo.

Parâmetros auxiliares

Como em qualquer amostragem em chaminé, são medidos velocidade e vazão dos gases, temperatura, umidade e composição dos gases. Esses dados permitem calcular a concentração e a taxa de emissão na condição de referência exigida.

Análise

As frações recuperadas (lavagens da sonda, filtro e soluções) seguem para o laboratório, onde passam por preparo e análise instrumental para a determinação de cada metal. O resultado final soma as frações de acordo com o que o método e a exigência legal preveem.

Cuidados com contaminação

Metais estão em toda parte: em ferramentas, peças metálicas, poeira da fábrica, luvas e até em reagentes de qualidade inadequada. Por isso, o controle de contaminação é parte central do método:

  • vidrarias e componentes do trem são preparados e limpos com procedimentos específicos;
  • reagentes devem ter grau de pureza compatível com a análise de traços;
  • a montagem e a recuperação são feitas em área protegida de poeira;
  • brancos de campo e de reagentes são coletados e analisados junto com as amostras;
  • a equipe usa luvas e materiais que não liberam metais.

Os brancos são o que permite demonstrar que o resultado reflete a emissão e não a manipulação.

Preparando a campanha

Condições físicas

Confira se a chaminé tem orifícios de amostragem bem posicionados, plataforma segura, acesso adequado e energia elétrica próxima. O trem do Método 29 é mais complexo que o de material particulado simples, e a área de trabalho precisa comportar a montagem e a recuperação com segurança.

Condições de operação

A fonte deve operar em condição normal e estável durante toda a coleta. Em processos com bateladas, como fornos de fusão com cargas sucessivas, é preciso definir com a equipe técnica qual período representa melhor a operação e registrá-lo.

Registro do processo

Separe os dados de produção, o tipo de carga ou de resíduo alimentado e o funcionamento dos sistemas de controle no período. Esses registros vão para o relatório e ajudam a interpretar os resultados.

Integração com outros parâmetros

É comum que a mesma condicionante peça metais junto com material particulado, gases ácidos, dioxinas e furanos e outros parâmetros. Planejar todas as coletas na mesma mobilização reduz custos e garante que os resultados representem a mesma condição de operação.

Erros que levam a repetir a campanha

Por envolver muitas etapas, a campanha de metais tem alguns pontos frágeis que vale conhecer:

  • teste de vazamento reprovado: o trem é verificado antes e depois de cada corrida, e um vazamento detectado ao final compromete a amostra;
  • isocinetismo fora da faixa: mudanças bruscas na vazão dos gases durante a coleta, causadas por alterações no processo, dificultam manter a condição isocinética;
  • quebra ou perda de frascos: as soluções precisam chegar íntegras ao laboratório, e o transporte merece atenção;
  • brancos elevados: indicam contaminação em alguma etapa e podem invalidar a comparação com o limite;
  • fonte fora da condição normal: uma parada, uma troca de carga atípica ou uma falha do filtro durante a coleta tira a representatividade do resultado.

A maior parte desses riscos é reduzida com uma reunião de planejamento entre a equipe de campo e a equipe de operação antes da mobilização, definindo horários de coleta, contatos para comunicação de alterações e forma de registro do processo.

Quanto tempo leva

A duração total depende do número de corridas exigidas, da quantidade de pontos na seção da chaminé e do volume de gás necessário para atingir a sensibilidade analítica. Somam-se a isso o tempo de preparo do material antes da campanha e o tempo de análise depois dela, que é maior do que o de parâmetros convencionais por causa do preparo das frações. Esses prazos devem entrar no cronograma desde o início, contando para trás a partir da data de protocolo do relatório.

Interpretando o relatório

Ao receber o relatório, verifique:

  • se a condição de operação descrita corresponde à operação normal;
  • se os resultados estão na unidade e na condição de referência do limite aplicável;
  • se os brancos ficaram em níveis aceitáveis;
  • como os resultados abaixo do limite de quantificação foram tratados nas somas;
  • como os valores se comparam com campanhas anteriores.

Uma mudança relevante no perfil de metais entre campanhas pode indicar alteração na matéria-prima, no resíduo processado ou no desempenho do filtro.

Relação com o entorno

Metais emitidos podem ser avaliados também no entorno, por meio de monitoramento de qualidade do ar e de deposição de poeira sedimentável. As taxas de emissão medidas na chaminé podem alimentar estudos de dispersão que estimam a contribuição da fonte nos receptores.

Como a GeoAvaliar pode ajudar

A GeoAvaliar é um laboratório de Contagem/MG acreditado pela Cgcre (CRL 0436) conforme a ABNT NBR ISO/IEC 17025, com equipe dedicada a fontes estacionárias e experiência em campanhas de metais e outros parâmetros complexos. Planejamos a coleta com a sua equipe de operação, cuidamos do controle de contaminação e entregamos o relatório no formato exigido. Fale com a equipe pela página de contato.

Perguntas frequentes

Quais setores costumam ter exigência de metais em emissões?

São comuns as exigências em fundições, siderurgia e metalurgia, processos de tratamento térmico de resíduos e coprocessamento em fornos industriais. A lista de metais e a frequência dependem do processo e são definidas pelo órgão ambiental na licença.

O que diferencia o Método 29 de uma amostragem de material particulado comum?

O Método 29 coleta tanto a fração dos metais retida em partículas quanto a fração que passa pelo filtro na forma gasosa, como parte do mercúrio. Para isso, o trem de amostragem tem, além do filtro, uma sequência de soluções absorventes específicas. Toda a coleta é feita em condição isocinética.

Quais metais podem ser determinados?

O serviço de fontes estacionárias da GeoAvaliar lista metais como ferro, cobre, níquel, alumínio, zinco, cádmio, chumbo, mercúrio, selênio, telúrio, cobalto, bário, cálcio, sódio, potássio, arsênio, manganês, berílio, boro, cromo, estanho, lítio e magnésio, entre outros. A seleção para cada campanha segue a exigência da licença.

Por que o cuidado com contaminação é tão grande nesse ensaio?

Porque muitos metais aparecem em concentrações baixas nas emissões e estão presentes em ferramentas, luvas, poeira e até no próprio ambiente da fábrica. Uma contaminação pequena durante a montagem ou a recuperação da amostra pode alterar o resultado. Brancos de campo e de reagentes ajudam a controlar esse risco.

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Fale com a equipe técnica da GeoAvaliar e receba uma proposta.

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