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Dispersão de Poluentes

Estudo de dispersão para carvão vegetal em MG

O que envolve o Estudo de Dispersão Atmosférica para produção de carvão vegetal em Minas Gerais, com base no Termo de Referência SEMAD 2024, dos dados de entrada ao uso no licenciamento.

02/11/2026
7 min de leitura
Rafael Salles, Coordenador Financeiro Técnico (CREA-MG 1420567110)
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A produção de carvão vegetal em Minas Gerais tem uma particularidade que a diferencia de muitas outras atividades industriais: as emissões saem de dezenas ou centenas de fornos de carbonização, em geral em áreas rurais, perto do solo e, às vezes, a pouca distância de moradias, escolas e estradas. A fumaça é visível, tem odor característico e é uma das principais causas de reclamação em regiões produtoras.

Para avaliar o efeito dessas emissões no entorno, o licenciamento pode exigir um Estudo de Dispersão Atmosférica (EDA). Desde 2024, a SEMAD dispõe de um Termo de Referência específico para EDA de produção de carvão vegetal, que se soma ao Termo de Referência de 2023 para estudos de dispersão em geral. A seguir estão os motivos da atenção especial a essa atividade, os dados de entrada do estudo, os resultados esperados e o lugar do EDA no processo de licenciamento.

Por que os fornos de carbonização exigem atenção

A carbonização transforma a madeira em carvão por aquecimento com pouco oxigênio. Ao longo do ciclo, os fornos liberam fumaça com material particulado, monóxido de carbono e compostos orgânicos voláteis, entre outros. Algumas características tornam a dispersão dessas emissões mais delicada do que a de uma chaminé industrial convencional:

  • Emissão em baixa altura: a fumaça sai próxima ao solo, com pouca elevação, e tende a se espalhar pela superfície em vez de subir e se diluir.
  • Muitas fontes juntas: uma unidade produtora reúne vários fornos, em baterias, com emissões que se somam.
  • Variação ao longo do ciclo: a intensidade e a composição das emissões mudam conforme a fase da carbonização, e fornos em fases diferentes operam ao mesmo tempo.
  • Condições noturnas: à noite e nas primeiras horas da manhã, a atmosfera costuma ser mais estável, com ventos fracos e inversões térmicas, o que dificulta a dispersão e concentra a fumaça nos vales.
  • Receptores próximos: em áreas rurais, casas, sedes de fazendas, escolas e comunidades podem estar a distâncias curtas das baterias de fornos.
  • Relevo: vales e encostas canalizam o vento e podem levar a fumaça para áreas habitadas.

Esses fatores explicam por que a avaliação genérica de uma chaminé alta não serve para carvoarias, e por que existe um Termo de Referência específico para a atividade.

O que é um Estudo de Dispersão Atmosférica

O EDA usa um modelo matemático de dispersão para estimar as concentrações de poluentes no ar ao redor do empreendimento. O modelo combina as emissões das fontes com as condições meteorológicas e o terreno, hora a hora, ao longo de um período representativo, e calcula as concentrações em uma malha de pontos e em receptores específicos.

O resultado mostra onde as concentrações são maiores, com que frequência e em que condições. Ele permite comparar a contribuição do empreendimento com os padrões de qualidade do ar da CONAMA 491/2018 e avaliar se há risco de ultrapassagem nos locais onde há pessoas.

Dados de entrada

A qualidade do estudo depende diretamente dos dados que alimentam o modelo.

Fontes

  • número, localização e disposição dos fornos;
  • regime de operação: ciclos, horários, quantos fornos operam simultaneamente e em que fase;
  • características das emissões: altura e dimensões das saídas, temperatura e velocidade dos gases, quando aplicável;
  • taxas de emissão de cada poluente, obtidas por medições ou por fatores de emissão de referência devidamente justificados;
  • outras fontes do empreendimento, como vias, pátios de carvão e equipamentos.

Meteorologia

  • série de dados horários de vento (direção e velocidade), temperatura e estabilidade atmosférica, representativa da área;
  • justificativa da escolha da estação ou da base de dados usada, considerando distância, relevo e período;
  • atenção especial às condições noturnas e de calmaria, decisivas para fontes baixas.

Terreno e uso do solo

  • topografia da área de estudo, com vales, encostas e elevações que influenciam o escoamento do ar;
  • características de uso e cobertura do solo, que afetam a turbulência próxima à superfície.

Receptores

  • identificação e localização de residências, escolas, unidades de saúde, comunidades e outras áreas sensíveis;
  • malha de receptores cobrindo a área de influência, com densidade maior perto das fontes.

A definição de cada item e o nível de detalhamento exigido seguem o Termo de Referência. O estudo deve deixar claro de onde vem cada dado e quais premissas foram adotadas.

Resultados do estudo

O produto principal de um EDA são os mapas e tabelas de concentração:

  • Mapas de isolinhas de concentração para cada poluente e tempo de média, mostrando como a pluma se distribui na área.
  • Concentrações máximas previstas na malha e nos receptores sensíveis, com a indicação de onde e quando ocorrem.
  • Comparação com os padrões de qualidade do ar aplicáveis, para os tempos de média correspondentes.
  • Análise de cenários, quando pedida ou quando útil: operação atual, ampliação, mudança no arranjo dos fornos, adoção de medidas de controle.
  • Discussão das incertezas e das limitações do modelo e dos dados de entrada.

Os resultados mais úteis costumam ser os que mostram o efeito de decisões concretas. Por exemplo, a comparação entre dois arranjos de baterias de fornos, ou entre operar com todos os fornos acesos ao mesmo tempo e escalonar os ciclos.

Como o estudo entra no licenciamento

O EDA é apresentado ao órgão ambiental como parte do processo de licenciamento, quando exigido. Ele serve para:

  • demonstrar que a operação proposta é compatível com os padrões de qualidade do ar nos receptores;
  • apoiar a definição de distâncias, arranjos e regimes de operação;
  • fundamentar condicionantes, como monitoramento de qualidade do ar em determinados pontos;
  • responder a questionamentos da comunidade com base técnica.

O estudo também ajuda o próprio empreendedor. Identificar, antes da instalação, que uma bateria de fornos ficaria em posição desfavorável em relação a uma comunidade custa muito menos do que lidar com reclamações e exigências depois que a unidade está operando.

Quando o órgão pede monitoramento para verificar as previsões, a medição de partículas no ar ambiente pode ser feita no programa de qualidade do ar, com pontos escolhidos a partir dos mapas do estudo.

O que o empreendedor deve reunir

Boa parte do prazo de um EDA é gasta na coleta de informações que o empreendedor já tem ou pode levantar com facilidade. Organizar esse material antes de contratar acelera o estudo e reduz premissas genéricas:

  • planta ou imagem georreferenciada da unidade, com a posição de cada bateria de fornos, pátios, vias e áreas de apoio;
  • descrição do tipo de forno, das dimensões e da forma de operação, incluindo duração do ciclo e número de fornos em cada fase;
  • capacidade de produção atual e prevista, se houver ampliação no horizonte;
  • resultados de medições de emissão ou de qualidade do ar já realizadas;
  • registro de reclamações recebidas, com localização e datas, que ajudam a identificar receptores e condições críticas;
  • documentos do processo de licenciamento, incluindo as solicitações do órgão ambiental relacionadas ao estudo.

Também é útil indicar, já no início, as alternativas que o empreendedor está disposto a considerar, como reposicionar fornos, alterar horários de carga e descarga ou reduzir o número de fornos operando ao mesmo tempo. Assim os cenários simulados respondem a decisões reais.

Cuidados para um estudo consistente

Alguns problemas são recorrentes em estudos de dispersão e levam a pedidos de complementação:

  • dados meteorológicos não representativos da área ou de período curto demais;
  • taxas de emissão sem origem clara ou com fatores de outra atividade;
  • receptores sensíveis não identificados no levantamento de campo;
  • regime de operação simplificado demais, sem considerar fornos operando ao mesmo tempo;
  • ausência de discussão das incertezas;
  • relevo desconsiderado em áreas de vale.

Como a GeoAvaliar pode ajudar

A GeoAvaliar elabora Estudos de Dispersão Atmosférica com base nos Termos de Referência da SEMAD de 2023 e de 2024, incluindo o específico para produção de carvão vegetal. Esse serviço é complementar e não faz parte do escopo de acreditação. A assessoria ambiental pode integrar o estudo ao processo de licenciamento. Para avaliar o seu caso, fale com a equipe.

Perguntas frequentes

Toda carvoaria precisa de Estudo de Dispersão Atmosférica?

A exigência depende do enquadramento do empreendimento no licenciamento e do que o órgão ambiental solicitar no processo. Quando o estudo é pedido para produção de carvão vegetal em Minas Gerais, ele deve seguir o Termo de Referência específico da SEMAD de 2024. Confirme a exigência no processo de licenciamento antes de contratar.

Qual a diferença entre o TR de 2023 e o de 2024?

A SEMAD publicou em 2023 um Termo de Referência geral para Estudos de Dispersão Atmosférica e, em 2024, um Termo de Referência específico para a atividade de produção de carvão vegetal. Para carvoarias, o documento de referência é o de 2024, que considera as particularidades dessa atividade.

O estudo substitui o monitoramento da qualidade do ar?

Não. O estudo estima concentrações a partir de dados de emissão e meteorologia, inclusive para cenários futuros. O monitoramento mede o que está efetivamente no ar em pontos específicos. Os dois se complementam, e o órgão pode pedir monitoramento para verificar as previsões do estudo.

Os dados meteorológicos podem ser de uma estação distante?

Os dados precisam ser representativos da área do empreendimento. Estações distantes ou em condições de relevo muito diferentes podem não representar os ventos locais. A escolha e a justificativa da base meteorológica fazem parte do estudo e são avaliadas pelo órgão ambiental.

O que acontece se o estudo indicar concentrações altas em algum receptor?

O estudo passa a ser uma ferramenta de projeto. É possível simular cenários com mudanças no número ou na posição dos fornos, no regime de operação ou em medidas de controle, até encontrar uma configuração que atenda aos padrões de qualidade do ar nos receptores.

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